'Cause I'm a lonely stranger here
Well beyond my dayAnd I don't know what's goin' on,
So I'll be on my way...'Cause I'm a lonely stranger here
Well beyond my dayAnd I don't know what's goin' on,
So I'll be on my way...As coisas são assim, altos e baixo, gripe e saúde, morte e vida.
"Não há mais retorno/ Uns há que ficam, são tantos/ Quero a mão dos que prosseguem.." Raul SeixasQuando já não tinha espaço, pequena fui(Luis Kiari e Caio Soh)Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer,
Acomodei minha dança, os meu traços de chuva
E o que é estar em paz
Pra ser minha e assim ser tua
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos, as calçadas
(...)Nada do que fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
(...) >E, mesmo que eu te perca,Nunca mais serei aquela que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela
You used to say live and let live
(you know you did, you know you did you know you did)
But in this ever changing world in which we live in
Makes you give in and cry
Say live and let die
Veio invadir outra vez
Tudo que era azul e vivo
A energia que pulsava
Pensante, vibrante, emocionada
De repente fugiu
Uma outra emoção ainda estava
Ou será que nunca tinha ido?
Sem explicação e sem lugar
Uma tristezinha assim
Chegou novamente bem perto
Bem dentro fez sua festa
E só assim com a nova inundação
Conseguira entender
Ufa!
Era simplesmente a última gota.
Outras vezes montamos armadilhas para não conseguirmos escapar..
De tempos em tempos se volta a poesia. Ainda não voltei à minha, mas então tomarei essa sem humildade pra mim. Do Drummond, que sempre me parece sincero e doce..
"Amor e Seu Tempo
Amor é privilégio de maduros
É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe
Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. amor começa tarde."
No grande azul
Uma canção ressoa
Determinante
O sono se esconde
Não é dia de anoitecer
Manhã de poeta
Nascem versos principiantes
"Now let's make this an evening
Lovers for a night, lovers for tonight
Stay here with me, love, tonight
Just for an evening
When we make
Our passion pictures
You and me twist up
Secret creatures
And we'll stay here
Tomorrow go back to being friends"
DMB
A palmeira, o verde tapete real
Umas gotas aqui e ali e ainda a surpresa do convivio
Um olhar de pequena e muitos pequenos com seus ruidos
Um abraço e tanto aperto de gente que se vê
Não ha nada de mais
E enfim tudo
Que faz a sinfonia tocar
Faz respirar quente a cidade
Fundo que faz orgulho de gente.
Por que a pressa? Fui reticente demais na investida que cheguei a causar desconfiança? Não gosto de sombras, você sabe, prefiro um caminho limpo e seguro a esse mistério que habita bem no fundo desses olhos amendoados e cheios de si. Por que eu também tento me disfarçar? É como se sempre eu estivesse dando um passo em falso; não consigo traduzir nem em palavras nem em gestos o que quero de verdade... E também tem a sua pressa, a insconstância, as fugas... Essa mania que a gente tem de querer fazer da vida um poema e construir castelos de vento... É uma nostalgia doce e amarga ao mesmo tempo. Uma nostalgia contínua!
Ando tão inexata que tenho me ocultado de mim mesma, juntando lembranças para formar alguma coisa densa, algo que fique entre o final de um dia e a expectativa de outro e que não soe como ilusão ou armadilha para os próximos meses. Muita coisa se manteve intacta, eu sei, mas, na verdade, muito já se perdeu, e o meu desejo era poder segurar entre as mãos o que havia de mais ilógico, insano, inexplicável - escapou-me a coerência, no entanto, por entre os dedos. Mas eu sempre tive essa mania de querer manter vivo o que penso que faz sentido, as mãos aquecidas, o coração em profusão, a cabeça em nuvens. E você é tão contumaz!
Olhando assim nos seus olhos, esse cheiro de café que lembra obrigação, as suas mãos que não param de cumprir alguma coisa, o que eu queria encontrar nesse momento impróprio parece tão ínfimo e sem sentido. É uma hora imprópria, eu sei, para aprofundar um sorriso, aproximar para um beijo, fazer o dia melhor. Eu queria agora sonho, promessa, gargalhada, um dia furtivo, sorriso meigo, música, dança, um passo à frente e verdade no olhar. Quem sabe dizer tudo e nenhuma palavra, fazer verter a esperança de uma noite mais tensa, intensa, profana, inculta...mas bela. Apenas poder desenhar novamente o meu nome nos seus lábios."
De Ariana, em 01/07/09.Não digo o que me vem
Que nada vem a mim
O que dizer
Lá se vai em ti
Não digo a tua voz
Não digo o que me diz
Quando se vai
Sem dizer adeus
Fico só sem dizer
Fico só
Não digo o que não vem
Do que se vai em ti
O que disser
Não dirá de mim
Fico só sem dizer
Fico só
20 Novembro 2008
"Vicky Cristina Barcelona'
O amor-paixão é uma tentação irresistível, é o protótipo da vida intensamente vivida
"VICKY Cristina Barcelona", de Woody Allen, estreou no Brasil na semana passada. Com muita leveza e muito bom humor, o filme me levou a pensar nos percalços da vida amorosa.
A história do verão em Barcelona de Vicky e Cristina é um pequeno tratado do amor-paixão: os espectadores terão o prazer (ou desprazer) de se reconhecer em algum lugar do leque de experiências amorosas que o filme apresenta -é um leque pequeno, mas do qual escapamos pouco. Sem resumir, eis umas notas:
1) Os casais que se amam de paixão, cujos parceiros parecem ser feitos um para o outro, em regra, acabam tentando se matar -com faca, revólver ou qualquer outro instrumento (cf. Juan Antonio e Maria Elena). É porque, se o outro me completa e vice-versa, o risco é que nenhum de nós sobreviva à nossa união -ao menos, não como ente separado e distinto. Mas, por mais que seja ameaçadora, a paixão amorosa é uma tentação irresistível (cf. Cristina, Vicky, Judy) por uma razão simples: nas narrativas de nossa cultura, ela é o protótipo ideal da experiência plena, da vida intensamente vivida.
2) Por sorte ou não, o amor-paixão é raro. A maioria de nós vive relações menos "interessantes" e menos fatais -relações em que a gente se preocupa em criar os filhos, decorar a casa, ganhar um dinheiro ou jogar golfe (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark). Não seria tão mal, salvo pelo detalhe seguinte: em geral, nesses casais "normais", ao menos um dos parceiros vive com a sensação de que sua escolha amorosa é resignada, fruto de um comodismo medroso: "O outro não é bem o que eu queria; culpa minha, que não tive a coragem de me arriscar a amar..."
Detalhe: como o amor-paixão é um ideal cultural, não é preciso ter atravessado a experiência da paixão para idealizá-la (as más línguas diriam, aliás, que é mais fácil idealizá-la sem tê-la vivido em momento algum).
3) Os que parecem não idealizar o amor-paixão passam o tempo se protegendo contra ele. Deve ser por isto que a "normalidade" amorosa pode ser insuportavelmente chata: porque ela exige a construção esforçada de defesas contra a paixão -argumentos morais e sociais, sempre mais "razoáveis" do que racionais (cf. Mark, Doug). Num casal, quem critica a doidice da paixão não parece sábio aos olhos de sua parceira ou de seu parceiro; ao contrário, ele parece, quase sempre, pequeno e um pouco covarde (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark).
4) A paixão não é uma coisa que a gente possa encontrar saindo pelo mundo como um turista da vida (cf. Cristina). Pois não basta esbarrar na paixão; ainda é preciso encará-la quando ela se apresenta.
Pode ser que, um dia, se ela conseguir matar Juan Antonio com um tiro certeiro, Maria Elena seja internada ou presa. Pode ser que Juan Antonio seja um sujeito amoral e, por isso, perigoso. Pode ser que Vicky seja desesperadamente normal, trocando a chance de amar por uma casa num subúrbio norte-americano (estou sendo injusto com Vicky: na verdade ela tenta...).
Mas, para mim, a mais "patológica" de todas as personagens do filme é Cristina. Sua aparente abertura para a vida ("Ela não sabia o que queria, mas sabia o que não queria", narra a voz em off) é apenas uma versão "bonita" e literária de sua "insatisfação crônica" (diagnosticada por Maria Elena, com razão). Nisso, Cristina é muito próxima da gente: ela quer e consegue brincar com a paixão, mas sem perder a ilusão da liberdade ou o sonho do que ela poderia encontrar na próxima esquina.
Por isso, sua voracidade é a do turista: tira muitas fotos pelo mundo afora, mas será que ela se deixa tocar pela vida?
5) Disse que "Vicky Cristina Barcelona" trata dos percalços da vida amorosa com leveza e bom humor; de fato, saí do cinema sorrindo, e não era o único. Mas a amiga que me acompanhava comentou: "Adorei, mas é um filme triste". "Como assim?", estranhei. Ela respondeu, com razão: "É um filme triste porque os personagens se apaixonam, vivem sentimentos fortes, mas, no fim, tudo isso não transforma ninguém. Vicky e Cristina vão embora iguais ao que elas eram no começo, sobretudo Cristina...".
Minha amiga tinha razão. O amor e a paixão não nos fazem necessariamente felizes, mas são uma festa e uma alegria porque deles podemos esperar ao menos isto: que eles nos tornem um pouco outros, que eles nos mudem. Agora, nem sempre funciona... "