Quando já não tinha espaço, pequena fui(Luis Kiari e Caio Soh)Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer,
Acomodei minha dança, os meu traços de chuva
E o que é estar em paz
Pra ser minha e assim ser tua
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos, as calçadas
(...)Nada do que fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
(...) >E, mesmo que eu te perca,Nunca mais serei aquela que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela
11.5.11
Quando eu fui chuva..
27.12.10
O tempo não para!
You used to say live and let live
(you know you did, you know you did you know you did)
But in this ever changing world in which we live in
Makes you give in and cry
Say live and let die
30.10.10
A última gota
Veio invadir outra vez
Tudo que era azul e vivo
A energia que pulsava
Pensante, vibrante, emocionada
De repente fugiu
Uma outra emoção ainda estava
Ou será que nunca tinha ido?
Sem explicação e sem lugar
Uma tristezinha assim
Chegou novamente bem perto
Bem dentro fez sua festa
E só assim com a nova inundação
Conseguira entender
Ufa!
Era simplesmente a última gota.
15.10.10
Jeepers Creepers
Outras vezes montamos armadilhas para não conseguirmos escapar..
27.8.10
Menos prosa e mais poesia
De tempos em tempos se volta a poesia. Ainda não voltei à minha, mas então tomarei essa sem humildade pra mim. Do Drummond, que sempre me parece sincero e doce..
"Amor e Seu Tempo
Amor é privilégio de madurosEstendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe
Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. amor começa tarde."
17.2.10
Viva paisagem
31.1.10
11.1.10
Let's not go to sleep
No grande azul
Uma canção ressoa
Determinante
O sono se esconde
Não é dia de anoitecer
Manhã de poeta
Nascem versos principiantes
9.11.09
Say Goodbye
"Now let's make this an evening
Lovers for a night, lovers for tonight
Stay here with me, love, tonight
Just for an evening
When we make
Our passion pictures
You and me twist up
Secret creatures
And we'll stay here
Tomorrow go back to being friends"
DMB
16.9.09
Assim ilustre
A palmeira, o verde tapete real
Umas gotas aqui e ali e ainda a surpresa do convivio
Um olhar de pequena e muitos pequenos com seus ruidos
Um abraço e tanto aperto de gente que se vê
Não ha nada de mais
E enfim tudo
Que faz a sinfonia tocar
Faz respirar quente a cidade
Fundo que faz orgulho de gente.
25.8.09
7.8.09
3.7.09
Ausência
Por que a pressa? Fui reticente demais na investida que cheguei a causar desconfiança? Não gosto de sombras, você sabe, prefiro um caminho limpo e seguro a esse mistério que habita bem no fundo desses olhos amendoados e cheios de si. Por que eu também tento me disfarçar? É como se sempre eu estivesse dando um passo em falso; não consigo traduzir nem em palavras nem em gestos o que quero de verdade... E também tem a sua pressa, a insconstância, as fugas... Essa mania que a gente tem de querer fazer da vida um poema e construir castelos de vento... É uma nostalgia doce e amarga ao mesmo tempo. Uma nostalgia contínua!
Ando tão inexata que tenho me ocultado de mim mesma, juntando lembranças para formar alguma coisa densa, algo que fique entre o final de um dia e a expectativa de outro e que não soe como ilusão ou armadilha para os próximos meses. Muita coisa se manteve intacta, eu sei, mas, na verdade, muito já se perdeu, e o meu desejo era poder segurar entre as mãos o que havia de mais ilógico, insano, inexplicável - escapou-me a coerência, no entanto, por entre os dedos. Mas eu sempre tive essa mania de querer manter vivo o que penso que faz sentido, as mãos aquecidas, o coração em profusão, a cabeça em nuvens. E você é tão contumaz!
Olhando assim nos seus olhos, esse cheiro de café que lembra obrigação, as suas mãos que não param de cumprir alguma coisa, o que eu queria encontrar nesse momento impróprio parece tão ínfimo e sem sentido. É uma hora imprópria, eu sei, para aprofundar um sorriso, aproximar para um beijo, fazer o dia melhor. Eu queria agora sonho, promessa, gargalhada, um dia furtivo, sorriso meigo, música, dança, um passo à frente e verdade no olhar. Quem sabe dizer tudo e nenhuma palavra, fazer verter a esperança de uma noite mais tensa, intensa, profana, inculta...mas bela. Apenas poder desenhar novamente o meu nome nos seus lábios."
De Ariana, em 01/07/09.28.6.09
Sem Dizer
Não digo o que me vem
Que nada vem a mim
O que dizer
Lá se vai em ti
Não digo a tua voz
Não digo o que me diz
Quando se vai
Sem dizer adeus
Fico só sem dizer
Fico só
Não digo o que não vem
Do que se vai em ti
O que disser
Não dirá de mim
Fico só sem dizer
Fico só
27.11.08
De amores-paixão e protótipos...
20 Novembro 2008
"Vicky Cristina Barcelona'
O amor-paixão é uma tentação irresistível, é o protótipo da vida intensamente vivida
"VICKY Cristina Barcelona", de Woody Allen, estreou no Brasil na semana passada. Com muita leveza e muito bom humor, o filme me levou a pensar nos percalços da vida amorosa.
A história do verão em Barcelona de Vicky e Cristina é um pequeno tratado do amor-paixão: os espectadores terão o prazer (ou desprazer) de se reconhecer em algum lugar do leque de experiências amorosas que o filme apresenta -é um leque pequeno, mas do qual escapamos pouco. Sem resumir, eis umas notas:
1) Os casais que se amam de paixão, cujos parceiros parecem ser feitos um para o outro, em regra, acabam tentando se matar -com faca, revólver ou qualquer outro instrumento (cf. Juan Antonio e Maria Elena). É porque, se o outro me completa e vice-versa, o risco é que nenhum de nós sobreviva à nossa união -ao menos, não como ente separado e distinto. Mas, por mais que seja ameaçadora, a paixão amorosa é uma tentação irresistível (cf. Cristina, Vicky, Judy) por uma razão simples: nas narrativas de nossa cultura, ela é o protótipo ideal da experiência plena, da vida intensamente vivida.
2) Por sorte ou não, o amor-paixão é raro. A maioria de nós vive relações menos "interessantes" e menos fatais -relações em que a gente se preocupa em criar os filhos, decorar a casa, ganhar um dinheiro ou jogar golfe (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark). Não seria tão mal, salvo pelo detalhe seguinte: em geral, nesses casais "normais", ao menos um dos parceiros vive com a sensação de que sua escolha amorosa é resignada, fruto de um comodismo medroso: "O outro não é bem o que eu queria; culpa minha, que não tive a coragem de me arriscar a amar..."
Detalhe: como o amor-paixão é um ideal cultural, não é preciso ter atravessado a experiência da paixão para idealizá-la (as más línguas diriam, aliás, que é mais fácil idealizá-la sem tê-la vivido em momento algum).
3) Os que parecem não idealizar o amor-paixão passam o tempo se protegendo contra ele. Deve ser por isto que a "normalidade" amorosa pode ser insuportavelmente chata: porque ela exige a construção esforçada de defesas contra a paixão -argumentos morais e sociais, sempre mais "razoáveis" do que racionais (cf. Mark, Doug). Num casal, quem critica a doidice da paixão não parece sábio aos olhos de sua parceira ou de seu parceiro; ao contrário, ele parece, quase sempre, pequeno e um pouco covarde (cf. Vicky e Doug, Judy e Mark).
4) A paixão não é uma coisa que a gente possa encontrar saindo pelo mundo como um turista da vida (cf. Cristina). Pois não basta esbarrar na paixão; ainda é preciso encará-la quando ela se apresenta.
Pode ser que, um dia, se ela conseguir matar Juan Antonio com um tiro certeiro, Maria Elena seja internada ou presa. Pode ser que Juan Antonio seja um sujeito amoral e, por isso, perigoso. Pode ser que Vicky seja desesperadamente normal, trocando a chance de amar por uma casa num subúrbio norte-americano (estou sendo injusto com Vicky: na verdade ela tenta...).
Mas, para mim, a mais "patológica" de todas as personagens do filme é Cristina. Sua aparente abertura para a vida ("Ela não sabia o que queria, mas sabia o que não queria", narra a voz em off) é apenas uma versão "bonita" e literária de sua "insatisfação crônica" (diagnosticada por Maria Elena, com razão). Nisso, Cristina é muito próxima da gente: ela quer e consegue brincar com a paixão, mas sem perder a ilusão da liberdade ou o sonho do que ela poderia encontrar na próxima esquina.
Por isso, sua voracidade é a do turista: tira muitas fotos pelo mundo afora, mas será que ela se deixa tocar pela vida?
5) Disse que "Vicky Cristina Barcelona" trata dos percalços da vida amorosa com leveza e bom humor; de fato, saí do cinema sorrindo, e não era o único. Mas a amiga que me acompanhava comentou: "Adorei, mas é um filme triste". "Como assim?", estranhei. Ela respondeu, com razão: "É um filme triste porque os personagens se apaixonam, vivem sentimentos fortes, mas, no fim, tudo isso não transforma ninguém. Vicky e Cristina vão embora iguais ao que elas eram no começo, sobretudo Cristina...".
Minha amiga tinha razão. O amor e a paixão não nos fazem necessariamente felizes, mas são uma festa e uma alegria porque deles podemos esperar ao menos isto: que eles nos tornem um pouco outros, que eles nos mudem. Agora, nem sempre funciona... "
16.9.08
ciné-quotes dois
Rob: What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?
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Rob: It would be nice to think that since I was 14, times have changed. Relationships have become more sophisticated. Females less cruel. Skins thicker. Instincts more developed. But there seems to be an element of that afternoon in everything that's happened to me since. All my romantic stories are a scrambled version of that first one.
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Rob: The making of a great compilation tape, like breaking up, is hard to do and takes ages longer than it might seem. You gotta kick off with a killer, to grab attention. Then you got to take it up a notch, but you don't wanna blow your wad, so then you got to cool it off a notch. There are a lot of rules. Anyway... I've started to make a tape... in my head... for Laura. Full of stuff she likes. Full of stuff that make her happy. For the first time I can sort of see how that is done.
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Rob: Top five things I miss about Laura. One; sense of humor. Very dry, but it can also be warm and forgiving. And she's got one of the best all time laughs in the history of all time laughs, she laughs with her entire body. Two; she's got character. Or at least she had character before the Ian nightmare. She's loyal and honest, and she doesn't even take it out on people when she's having a bad day. That's character.
[holds up three fingers]
Rob: Three;
[long pause, hesitantly]
Rob: I miss her smell, and the way she tastes. It's a mystery of human chemistry and I don't understand it, some people, as far as their senses are concerned, just feel like home.
[shakes his head, recollecting, then looks back and lip synchs 'four' while holds up four fingers]
Rob: I really dig how she walks around. It's like she doesn't care how she looks or what she projects and it's not that she doesn't care it's just, she's not affected I guess, and that gives her grace. And five; she does this thing in bed when she can't get to sleep, she kinda half moans and then rubs her feet together an equal number of times... it just kills me. Believe me, I mean, I could do a top five things about her that drive me crazy but it's just your garden variety women you know, schizo stuff and that's the kind of thing that got me here.
Barry: What's her name?
Dick: Anna.
Barry:Anna? Anaconda?
Dick: Anna Moss.
Barry: (laughing) Anna Moss?!? Is she all green and fuzzy and mossy? And you met this bruiser where? At the Home for the Mentally Challenged or the Blind or the bus station?
Dick: No, she came in and asked about the new Green Day...
Barry: Oh, finally! Anna! Dick! That's great. Really smoke that ass!
Rob: Liking both Marvin Gaye and Art Garfunkel is like supporting both the Israelis and the Palestinians.
Laura: No, it's really not, Rob. You know why? Because Marvin Gaye and Art Garfunkel make pop records.
Rob: Made! Made! Marvin Gaye is dead. His father shot him!
Customer: Hi, do you have the song "I Just Called To Say I Love You?" It's for my daughter's birthday.
Barry: Yea we have it.
Customer: Great great... Well, can I have it?
Barry: No, you can't.
Customer: Why not?!
Barry: Because it's sentimental tacky crap that's why. Do we look like a store that sells "I Just Called to Say I Love You"? Go to the mall!
Customer: What's your problem?!
Barry: Do you even know your daughter? There's no way she likes that song! Oh oh oh wait! Is she in a coma?
Barry: Rob, top five musical crimes perpetuated by Stevie Wonder in the '80s and '90s. Go. Sub-question: is it in fact unfair to criticize a formerly great artist for his latter day sins, is it better to burn out or fade away?
--- Rob: I will now sell five copies of the 3 E.P.s by The Beta Band.
Dick: Go for it. [Rob plays the record]
Customer: Who is this?
Rob: The Beta Band.
Customer: It's good.
Rob: I know.
Dick: It guess it looks as if you're reorganizing your records. What is this though? Chronological?
Rob: No...
Dick: Not alphabetical...
Rob: Nope.
Dick: What?
Rob: Autobiographical.
Dick: No fuckin' way.
15.9.08
ciné-quotes
"You cannot make friends with the rock stars. That's what's important. If you're a rock journalist - first, you will never get paid much. But you will get free records from the record company. And they'll buy you drinks, you'll meet girls, they'll try to fly you places for free, offer you drugs... I know. It sounds great. But they are not your friends. These are people who want you to write sanctimonious stories about the genius of the rock stars, and they will ruin rock and roll and strangle everything we love about it."
Lester Bangs: Aw, man. You made friends with them. See, friendship is the booze they feed you. They want you to get drunk on feeling like you belong.
William Miller: Well, it was fun.
Lester Bangs: They make you feel cool. And hey. I met you. You are not cool.
William Miller: I know. Even when I thought I was, I knew I wasn't.
Lester Bangs: That's because we're uncool. And while women will always be a problem for us, most of the great art in the world is about that very same problem. Good-looking people don't have any spine. Their art never lasts. They get the girls, but we're smarter.
William Miller: I can really see that now.
Lester Bangs: Yeah, great art is about conflict and pain and guilt and longing and love disguised as sex, and sex disguised as love... and let's face it, you got a big head start.
William Miller: I'm glad you were home.
Lester Bangs: I'm always home. I'm uncool.
William Miller: Me too!
Lester Bangs: The only true currency in this bankrupt world if what we share with someone else when we're uncool.
William Miller: I feel better.
Lester Bangs: My advice to you. I know you think those guys are your friends. You wanna be a true friend to them? Be honest, and unmerciful.




